segunda-feira, 26 de junho de 2017

command+q

Alguns dias eu permito à máquina ser uma extensão de mim. Se ela é ferramenta do criar e expressar, é apenas por reflexo do meu impulso e do querer. Mas no fundo sou eu a ferramenta. Meu querer fala por mim. Eu quero muito e às vezes penso pouco.

N'outros dias, me rebelo e recuso a máquina.

command+w / command+q
Não quero mais depender.
Quero expressar por mim, por pele e suor.
Pelas lágrimas de sentir demais,
por finalmente pensar naquilo que eu tenho evitado.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Foi bom, hoje sei lá

Foi bom ser o tema da tua saudade, dos teus registros, dos sonhos e das poesias. Compartilhar momentos especiais, primeiras vezes e aborrecimentos passageiros. Sobrou a distância e as lembranças do se passou. Sei lá.

Hoje eu tenho novo tema para minhas saudades e promessas de um futuro bom. Me reconheço em quem vejo no reflexo e me orgulho de ter chegado aqui com meu suor, minhas lágrimas e minhas manhas. A Sophia que me sorri de volta, tá bem próxima de quem eu sempre quis ser. Que alívio, que paz. Eu aceitei, a vida acontece aqui e agora. Resolvi dar uma chance para as coisas boas que poderiam acontecer enquanto eu não estou exatamente onde gostaria. Acho que aquilo que estava guardado para mim têm vindo aos poucos, conforme eu vou aprendendo a ser menos apressada. A vida ensina e o tempo ajuda, hoje eu sei.

A gente planta, espera e um dia colhe. Eu sei que as coisas boas que plantei em ti um dia irão florescer, mas já não sei se eu preciso ser quem colherá tuas flores e cores. Quem sabe um dia, tu reconheças um pouquinho de mim naquele que te sorri no espelho e isso te lembre do carinho e daquilo que foi bom. O sentimento ainda é fresco, confuso, mas o embrulho no estômago já não me impede mais de escrever. Quem sabe o tempo surtiu efeito, quem sabe eu tenha deixado para lá. Talvez a distância me permita ser saudável, mas nunca livre do afeto que carrego ao dizer teu nome.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Tem dias em que ele vem, sem eu sequer precisar pedir.
As perguntas, os assuntos, tudo parece fluir e sequer se vê esforço lá. É apenas certo.
Em alguns dias, sinto que nado contra a correnteza que insiste em nos afastar. Chego a pensar em me entregar e me carregar para alto mar, bem longe de tudo que um dia talvez tenha existido.

Você quer saber, sem fazer as perguntas; ou só aceita que mesmo sem perguntas eu já vá contar. Quem sabe esse meu jeito, entregue, transparente, sem freios seja o grande culpado. Eu senti que conhecia você, mas era você que me conheceu no tempo em que estivemos juntos. Assim quando chegou a hora de irmos para caminhos diferentes, eu não sabia quem estava perdendo, mas você sempre soube quem estava deixando ir.

Eu não sei se o procuro em dias em que ele pede por mim. Não sei se quando olho pra ele vejo só aquilo que um dia me refletiu e mostrou as partes que mais amo em quem sou. Não sei, mesmo, mas cada dia tenho menos força contra a maré, que enche e esvazia meu peito.

Quem sabe é o tempo e quem sabe nosso tempo já se foi.
Quem sabe?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Sem nome

Um tanto do meu amor sempre foi dele. Imagine meu espanto ao perceber que ele me lê por essas linhas mal escritas, abandonadas em meio ao drama que se tornou minha vida. Eu sorri e revivi os momentos, tão preciosos já divididos e bem vividos por nós dois.

Essa premissa de que só existe uma alma gêmea nunca fez sentido, porque ele sempre esteve lá guardado com afeto perto daquilo que mais importa. Se fez amigo para continuar existindo, mesmo que amor.

É amor, mesmo que nunca tenha sido chamado assim. Foi amor também, aquilo que fizemos no escuro, no silêncio, no pouco tempo que deu para estarmos juntos. Pensando bem, algumas coisas merecem mesmo existir naquilo que não é dito e pertencem à madrugada.

E este é o segredo que nunca demos (e talvez nunca daremos) nome.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Nunca é comigo

Eu me calo pra não me queixar.
Aprendi a conversar com o teu silêncio.
Escuto quieta, evito o "eu sabia".
Aprendi a ignorar, sei que o importante se esconde de mim.
O nó na garganta aumenta, vez em quando dói.
Me acho louca, prometo que vai ser a última vez.
Mas nunca é...

[ nunca é gaslighting, até que a gente se dê conta ]