Eu não sabia mais que horas eram, acho que já passava das sete e eu ainda te observava dormir. Os seus cabelos curtos permitiam que eu visse seu rosto por completo, iluminado pelas cores de um sol que já brilhava lá fora. Era nítido que você estava distante em um sonho bom, colecionando memórias de noites que poderíamos ter tido e até hoje eu não te contei, mas naquele momento você sorria. Então eu mergulhei também, num mundo de perguntas e de coisas que eu deveria ter feito e dito.
Enquanto você dormia eu pensava em tudo o que havia acontecido na noite passada. Te falei baixinho, que teus lábios tem gosto de novidade e me dão sede; que teu beijo é um ponto de equilíbrio entre doce e voraz; e que tu beijas com a intensidade do sol na mais quente tarde de verão. Eu disse também que nunca me importei em ser essa pessoa desajeitada que fala coisas inapropriadas, chora e ri ao mesmo tempo e se entende melhor na bagunça do que num mundo cheio de divisórias. Se eu pudesse voltar aquela noite, te roubaria um beijo a mais, te tiraria a roupa enquanto aquele teu sorriso malicioso surgia mais uma vez no canto da tua boca e observaria tuas bochechas coradas, entregando teu prazer.
Eu me aproveitei do teu sono pra te falar o que eu nunca conseguiria com você me olhando nos olhos. A cabeça cheia não me deixou dormir, mas também não achei justo ficar ali te olhando, invadindo teu sono e sonhos. Por isso te beijei o rosto e parti, sem me despedir.
Hoje, cada lembrança aumenta a saudade e aperta meu confuso coração. Cada sonho que te traz, traz também a eletricidade da tua pele na minha, do teu corpo no meu. A cada mergulho que eu faço, me afogo no desejo de voltar no tempo e reviver tudo o que passou e talvez até construir novas memórias equanto te observo dormir mais uma vez.
sábado, 3 de novembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Daquilo que eu te peço
Quem sabe foi aí que eu errei, em te avisar que eu tava entrando e te pedir permissão. Vacilei ao perguntar se podia te chamar de amor, ou segurar por um instante na tua mão. Talvez teria sido certo contigo se eu tivesse chegado, assim que nem você, e apoiado os pés em cima dos teus joelhos e usado do teu coração bom. Tivesse te chamado de meu, de outros mil e vinte oito nomes e então esquecido de te ligar numa noite de jogo. Talvez se eu não tivesse te contado minhas histórias de infância, não tivesse falado do sonho em que você apareceu pela primeira vez e das manias da minha irmã, você acharia mais graça em mim e marcaria um jantar à luz de velas. Talvez os e-mails tenham sido muitos, as mensagens compridas demais e o meu falatório repetitivo e enjoativo, te impedindo de se deixar cativar. Ou talvez mesmo, tu goste de tudo isso, nesse teu jeito estranho de ser e gostar e não demonstrar.
Desisti de entender, só não desisti de você.
"Quando eu te peço um pouco é porque eu quero tudo que pode me dar
Quando eu te peço pra esquecer é porque eu quero te fazer lembrar de tudo que passou
Quando eu te digo que eu não penso é porque eu não paro de pensar
Quando eu tento me esconder é porque eu só quero te mostrar o que eu ainda sou..."
(Segunda feira - Rodrigo Tavares)
sábado, 1 de setembro de 2012
Eu voo em um tempo que não tenho,
não tive,
mas espero ter um dia.
não tive,
mas espero ter um dia.
Para poder beijar os lábios que eu não beijei.
Culpa da distância, do destino e suas ironias.
Eu sei que há algo reservado para mim e que não tem jeito de interferir, se for pra ser, será!
Mas hoje (e sempre) eu rezo, para que ele seja a minha reserva, porque sem ele será difícil continuar.
Blumenau, 25 de Novembro de 2011.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
A sós
Eu cansei, pela milésima vez, me esgotei.
Então nem chega perto, se não for pra me acordar com risadas numa manhã de chuva. Não me diz que vai vir, quando você fica mais distante a cada dia. Não me faz feliz se não for pra ser nós. Só me abraça pra deixar meu coração perto do teu e afastar o frio, o medo.
Promete que não vai me abandonar aqui sem um pedaço de mim, sendo mais um talvez na tua vida, não sabendo se amanhã você vai me esquecer, aumentar a distância ou então me dedicar uma poesia ou mais uma canção.
Eu te peço, por favor, não me deixe só;
se não for pra ser só com você.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Mais do mesmo
Eu sempre desejei que tudo fosse mais fácil, mais simples, mais do mesmo.
Queria muito que as tuas respostas para as minhas perguntas, fossem exatamente aquilo que eu quero ouvir e não o que eu sei que você vai me dizer. Queria que tu batesse na porta, dizendo que não aguenta mais de tanta saudade e que precisava do meu abraço tanto quanto precisa do ar para viver. Queria ser, depois da tua mãe, a mulher mais importante para você. Aliás, queria ser vista como uma mulher e não como a menina que tu insistes em dizer que sou. Queria que você risse do que eu falo, quando fosse algo que tivesse graça e que na hora de falar sério você me entendesse. Queria saber conviver com a tua ausência, indiferença e a distância. Queria poder dizer que eu não ligo, que não espero de verdade por tudo aquilo que eu já falei, por mais contraditório que isso possa parecer.
Queria muito que as tuas respostas para as minhas perguntas, fossem exatamente aquilo que eu quero ouvir e não o que eu sei que você vai me dizer. Queria que tu batesse na porta, dizendo que não aguenta mais de tanta saudade e que precisava do meu abraço tanto quanto precisa do ar para viver. Queria ser, depois da tua mãe, a mulher mais importante para você. Aliás, queria ser vista como uma mulher e não como a menina que tu insistes em dizer que sou. Queria que você risse do que eu falo, quando fosse algo que tivesse graça e que na hora de falar sério você me entendesse. Queria saber conviver com a tua ausência, indiferença e a distância. Queria poder dizer que eu não ligo, que não espero de verdade por tudo aquilo que eu já falei, por mais contraditório que isso possa parecer.
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