Não é como se ela tivesse sumido por completo da minha vida, muito pelo contrário. Parece que ela abriu meus olhos pra tantas coisas, que eu não conseguia ver antes ou que não faziam sentido e agora nelas eu só vejo ela. Ah, a menina da rima amarela, banguela, donzela. Depois dela, foi aí que o mundo se esclareceu, mas agora na ausência dessa luz, a vida tornou-se saudosa. Os dias se arrastam, enquanto eu abro e fecho aquela janela várias vezes. Ensaiando e desistindo de contar as coisas que eu queria, as lembranças que eu tive ou as descobertas que eu fiz. Eu sinto a falta enquanto encaro a janela quebrada, remendada pelas minhas desculpas, marcada pelas coisas já ditas. Eu observo cada vez que ela passa por mim, cantarolando uma nova canção ou folheando um quadrinho novo que emoldure sua personalidade e peculiaridades. Eu sinto saudades e não posso fazer nada a respeito. Eu encaro a janela craquelada pela ausência e só me resta esperar. O tempo dela voltar e me chamar pra reformar com ela a (agora) janela do pesar.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Monólogo
Parte I
Eu falo besteira pra disfarçar. Sabe? Quando eu fico nervosa, ansiosa, envergonhada. Eu falo besteira porque é tudo o que eu consigo pensar. Às vezes funciona e parece até uma graça pensada, frase feita. Significa que ainda me restaram alguns neurônios sem vergonha, mas desde que eu conheci esse cara eu ando um tanto quando comovida, introvertida e sem foco. Fazendo elogios e brincadeiras sobre coisas que eu não tinha costume. Ficando sem graça com certa frequência e eu não costumava ser assim.
Parte II
Constantemente eu me arrependo, dos carinhos que entrego sem pensar. Me questiono se 'tá certo, eu aqui me parafraseando, num monólogo infinito; enquanto ele fica lá, se revesando entre risadas e respostas monossilábicas. Eu já nem sei mais se faz sentido, explicar o que se passa aqui; sendo que eu não faço a menor ideia do que se passa ali dentro dele. Então eu me desaponto e choro sozinha mais uma vez. Mesmo sabendo que a culpa é toda minha e dessa confusão que eu virei depois de conhecê-lo.
Parte III
Eu fico insegura, mesmo com a cabeça dele pesando no meu colo, os olhos semicerrados como quem está quase dormindo sem resistir aos cafunés. Até quando ele me abraça sabendo da minha alergia à despedidas e pede pra eu me cuidar. Mesmo com meu mindinho pegando o dele num gesto precipitado de afeto e principalmente quando ele me olha com aquele jeito "decifra-me ou devoro-te".
Parte Final
Na presença dele eu não sei a coisa certa a dizer, fazer e pensar. Mas com ele perto eu me sinto melhor, apesar de toda a insegurança, eu me sinto completa.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
A escolha de Sophia
Pensando bem, não sei se hoje eu escolheria te amar, mas lá atrás eu já não tive muita escolha também.
Até porque se pudesse escolher, teria sido aquele que gostava de andar de mãos dadas, apresentou para os pais, acreditava em mim cem por cento e até me pediu em namoro sem nem saber o quão confusa eu realmente sou. Já você, sempre soube o quanto eu tinha problemas emocionais, me viu mudar do choro ao riso em segundos e vivia fazendo graça da minha bipolariedade.
Sabe, quando você parou de falar comigo, as coisas ficaram feias. Fiquei dias sem dormir, comendo mal e chorando pelos cantos da cidade. Cada vez que você aparecia em um sonho, eu perdia a hora para acordar. Então o telefone tocou, vi teu nome na tela e o mundo parou um um segundo.
Quando você me liga, eu esqueço tudo o que eu já sofri. É como se meu sol particular fosse aceso. Como se um mundo fosse um lugar melhor, só por poder ouvir a tua voz e os passarinhos cantassem mais alto sem incomodar as pessoas. Nada se compara ao grande alívio que eu sinto ao ouvir-te. Até mesmo a angustia que se tornou gostar de ti, vai embora quando tu falas do outro lado da linha. Eu contenho o riso, me faço de braba, pra te testar; mas eu sei que desde o primeiro alô, era tu quem me testava.
Eu posso nunca ter escolhido te amar,
mas todos os dias eu escolho não te esquecer.
Escolho não perder nunca
essa paz que tu trazes quando perto;
essa paz da tua voz,
dizendo que tudo vai dar certo.
Até porque se pudesse escolher, teria sido aquele que gostava de andar de mãos dadas, apresentou para os pais, acreditava em mim cem por cento e até me pediu em namoro sem nem saber o quão confusa eu realmente sou. Já você, sempre soube o quanto eu tinha problemas emocionais, me viu mudar do choro ao riso em segundos e vivia fazendo graça da minha bipolariedade.
Sabe, quando você parou de falar comigo, as coisas ficaram feias. Fiquei dias sem dormir, comendo mal e chorando pelos cantos da cidade. Cada vez que você aparecia em um sonho, eu perdia a hora para acordar. Então o telefone tocou, vi teu nome na tela e o mundo parou um um segundo.
Quando você me liga, eu esqueço tudo o que eu já sofri. É como se meu sol particular fosse aceso. Como se um mundo fosse um lugar melhor, só por poder ouvir a tua voz e os passarinhos cantassem mais alto sem incomodar as pessoas. Nada se compara ao grande alívio que eu sinto ao ouvir-te. Até mesmo a angustia que se tornou gostar de ti, vai embora quando tu falas do outro lado da linha. Eu contenho o riso, me faço de braba, pra te testar; mas eu sei que desde o primeiro alô, era tu quem me testava.
Eu posso nunca ter escolhido te amar,
mas todos os dias eu escolho não te esquecer.
Escolho não perder nunca
essa paz que tu trazes quando perto;
essa paz da tua voz,
dizendo que tudo vai dar certo.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Sozinha
Acendo outro cigarro numa dessas madrugadas solitárias, mas eu só preciso de mais uma tragada. O fogo me consome e me transforma em cinzas de alguém que eu nunca quis ser. Me afastando de um amor que eu nunca quis merecer.
Eu brinco com a fumaça como aquele que me espalhou por aí, soprando minhas cinzas ao vento. Como se a história de fazer as coisas que amamos livres fosse verdade. Às vezes, tanta liberdade pode sufocar. Às vezes, tanto amor pode assustar.
Enquanto o cigarro diminui, mil coisas se passam pela minha cabeça. Quando eu fico sozinha eu penso demais e penso em você. Me dá raiva, de ti, de mim, de te amar.
Eu brinco com a fumaça como aquele que me espalhou por aí, soprando minhas cinzas ao vento. Como se a história de fazer as coisas que amamos livres fosse verdade. Às vezes, tanta liberdade pode sufocar. Às vezes, tanto amor pode assustar.
Enquanto o cigarro diminui, mil coisas se passam pela minha cabeça. Quando eu fico sozinha eu penso demais e penso em você. Me dá raiva, de ti, de mim, de te amar.
É, uma tragada foi pouco.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Um copo cheio de nós.
Ela abriu a porta e me chamou para entrar. Sentei no sofá, pronto para despejar minhas milhões de desculpas. Ela me olhou de canto de olho, oferecendo algo para beber. Um copo de água, por favor. Ela trouxe o copo meio cheio, colocou na mesa de centro e sentou no sofá de frente para mim. Eu nunca tinha a visto tão bonita, tão madura, tão mulher.
Ensaiei começar a falar, duas ou três vezes, mas os olhos dela me roubavam as palavras e já não era mais possível falar de dor e de passado. Aqueles olhos que me imploravam por alguma ação mais confundiam do que encorajavam. Então sem esperar meu glorioso discurso, ela levantou sorrindo, sentou-se ao meu lado e passando a mão pelos meus cabelos se fez ainda mais perto. Me beijou os olhos, já encharcados pelas lágrimas e sussurrou no meu ouvido.
Eu te desculpo, porque eu sei que é amor.
Naquele momento eu sabia que tinha um mundo inteiro em minhas mãos, era a nossa vida recomeçando e na mesa de centro entornamos um copo cheio de nós.
Ensaiei começar a falar, duas ou três vezes, mas os olhos dela me roubavam as palavras e já não era mais possível falar de dor e de passado. Aqueles olhos que me imploravam por alguma ação mais confundiam do que encorajavam. Então sem esperar meu glorioso discurso, ela levantou sorrindo, sentou-se ao meu lado e passando a mão pelos meus cabelos se fez ainda mais perto. Me beijou os olhos, já encharcados pelas lágrimas e sussurrou no meu ouvido.
Eu te desculpo, porque eu sei que é amor.
Naquele momento eu sabia que tinha um mundo inteiro em minhas mãos, era a nossa vida recomeçando e na mesa de centro entornamos um copo cheio de nós.
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