sábado, 13 de agosto de 2011

Morena Marina

Sem dificuldade alguma ainda consigo lembrar daquele sorriso, a pele morena e os cabelos negros emoldurando um rosto tão encantador quanto a personalidade. Quem diria que eu viajaria mil quilômetros e ela tantos mais para que pudéssemos ser amigas? Mal sabia de onde vinha aquela menina a qual fui apresentada numa tumultuada fila de um evento universitário. Obra do acaso ou não, dentre os tantos cantos do país tivemos a sorte de sermos da mesma região e além disso compartilharmos tantas semelhanças, sonhos e um amor pela cidade maravilhosa. Marina que deixa o porto mais alegre, a menina sereia, aquela que vem do mar, do olhar sincero e abraço apertado. Hoje, apesar da distância como um negrinho comemorando seu aniversário, sua maioridade, sua vida, celebrando nosso encontro. A minha sorte grande foi te econtrar, guria. Essa foi sem dúvida, a primeira de muitas aventuras. E nós vamos longe sabe amiga? Assim eu espero. Que hoje (e amanhã e depois) seja um dia lindo, abençoado e cheio de alegrias. Mesmo longe eu não me esqueci de ti e é por isso que meu pensamento, hoje, está aí contigo.
Para a gaúchinha que eu gosto à fú.
Feliz aniversário Marina!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Deixa assim

Ele foi assim, entrando na minha vida como quem entra sem bater e eu nem liguei, mas ele foi me cativando, me ganhando, me roubando. Eu tive medo; de sentir todas aquelas coisas de novo, de ter aquele frio na barriga, de conviver com aquela incerteza e decidi que eu ia (pelo menos tentar) fazer tudo diferente dessa vez. Mesmo com medo, eu deixei que esse sentimento nascesse aqui dentro e tratei de separar bastante espaço para que ele pudesse crescer sem me machucar. O carinho cresceu feito maria-sem-vergonha, tomou conta de tudo, de mim. Desde então minha boca já não é mais a mesma sem a dele e a minha pele grita cada vez que ele está perto mas longe. E toda vez que faz frio (e calor) eu sinto vontade dele perto (bem perto), me beijando, misturando seu perfume ao meu, me aninhando em seu colo, me afogando em carinhos. Mas ainda assim eu não chamo de amor e nem acho que seja. Porque eu me lembro de todas as vezes que pensei ser amor e então acabou e doeu e secou. Então deixa assim, sem rótulo, sem nome. Deixa assim minha mão na tua, teu corpo no meu e o afeto em nós.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Adeus você...

Eu dei tchau para o rio, para as casas, para os ipês e para o frio, mas foi de você que eu me despedi hoje. Com dor no coração. Sem saber o que vai ser de mim, de você, de nós. Eu quis te levar comigo, mas o peso era demais pra eu te carregar e eu preciso ser leve para poder voar, sabe bonito? Então eu me despeço, por enquanto, por hoje. Logo a gente se encontra num sonho, em um olhar, numa lembrança ou num riso solitário. A gente nunca foi muito de planejar nossos encontros, até quando a saudade apertava e o desejo chegava a doer. Nós vamos sobreviver, mesmo que doa tanto que seja difícil de respirar, doa tanto que nos encontraremos em outros corpos e a saudade aperte até o coração parar. Porque eu volto logo e aí tudo volta ao seu lugar. Então amigo, deixa doer. Que é pra você sentir o mesmo que eu senti no instante que me despedi de você e fazer valer essa minha pressa de voltar.


Na fria manhã do dia cinco de julho eu me despedi.

domingo, 3 de julho de 2011

Sem saída.

Eu não sei se te avisaram, mas agora não tem mais volta. Sempre fui assim sonhadora, exagerada, descuidada e você fez com que eu acreditasse nesse meu mundo imaginário, intocável, infinito, imaculado. Eu te conheci, eu cresci e você esteve ali - o tempo todo. Eles esquecem de nos mandar uma carta, um sinal, uma notificação dizendo que a partir daquele instante não tem mais volta. Por isso eu não sei bem quando foi que eu entrei nessa rua sem saída chamada nós. Rua que parece sem fim, cheia de curvas, subidas, descidas e um retorno que não me leva para o início. Eu me perco toda vez que eu encontro você. Toda vez que entro na nossa rua e reclamo do frio e corro e beijo e chamo de nosso o teu cheiro. Nos últimos dias você entrou na onda da cidade, e destruiu toda a rua, teve o cuidado de esburacar cada centímetro e mexer na merda do esgoto. Foi o caos e todos diziam para eu sair dali, procurar outra rua mais cuidada, pronta para mim. Mas eu nunca fui de fugir sabe? Muito menos de abandonar. Quando eu gosto é pra valer. Então nunca espere que eu diga que não importa ou então que vou resolver as coisas com um telefonema, uma mensagem ou uma conversa casual naquele programa de três letras. É por importar que eu vou te olhar nos olhos, isso sim. Pra ver se você tem coragem de dizer que tava precisando mexer na merda, arrumar a rua e que eu não tinha nada que estar lá. Pra ver se você assume de uma vez que isso tudo foi por medo de gostar sozinho e não saber se na primeira oportunidade eu iria escapar. Eu quero entender ou ao menos tentar, mas eu preciso mergulhar nos teus olhos de aquário e sentir a verdade nas tuas palavras enquanto me afogo nelas.
Só assim pra eu recapar a tua rua,
encontrar minha vaga
e botar nosso cheiro de volta por lá.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Muito A Ver

Eu nunca tive muito a ver com ela. Ele nunca fez muito o meu tipo.
Não sei se você entende... Não estou dizendo que ela era estranha, nem feia. Longe disso, na verdade. Olhando pra ela, você percebe que nem teria porque ela ser de outro jeito. Eu só não tinha muito a ver com ela. O caso não é não gostar dele, sabe? É que tudo nele é diferente do meu cara ideal. Os cabelos, os olhos, a boca, as manhas, a voz, a altura, os gostos e até mesmo o tamanho das mãos. Nada nele justificava a primeira aproximação porque ele não era exatamente o meu tipo.
Eu já pensei muito sobre isso, mas eu continuo vendo que não tenho muito a ver com ela. Talvez seja essa mania dela, de acordar durante a noite e não virar o edredon para ficar com a parte mais gelada dele, mesmo no verão. Ou talvez ainda, seja porque ela ache muito blasé assistir filmes de comédia romântica ou atender o telefone só pra ouvir eu dizer que gosto dela. Outro dia, ela nem quis andar de mãos dadas, disse que ela preferia sentir o vento passando entre os dedos. Quis muito entender o porquê de eu o ter escolhido, mas nada fazia muito sentido com ele por perto. Durante o verão eu notava que ele me observava dormindo. Nunca entendi porque, mas eu preferia não me mexer (e por vezes morrer de calor) só para que ele não percebesse que eu sabia desse hábito dele. Eu sempre quis me mostrar forte perante ele. Evitando portanto inúmeras vezes seus convites para assistir comédias românticas, andar de mãos dadas e também suas ligações no meio da noite; eu sabia que era uma estrada sem volta e me apaixonar e criar laços não estava exatamente nos meus planos.

Eu nunca tive muito a ver com ela. Ela é fanática por aquele all star branco de cano baixo, não importa quantas vezes eu tente falar pra ela que ele é feio. No começo, era até difícil a gente ter o que conversar. Falar sobre filmes, livros e até músicas sempre virava um festival antagônico... Eu queria tirar férias e levar ela pra passar uma semana em Londres, no frio. Ela queria fugir do trabalho pra passar uns dias no Havaí, no verão. Ele nunca fez muito meu tipo assim como nunca gostou do meu tênis favorito, aliás o tênis era apenas umas das nossas várias discordâncias. Frio, calor, doce, salgado, longe, perto, sol, chuva, Europa, América do Norte. Nada de semelhante, nenhuma coincidência, nada que fizesse muito o meu tipo.
Ela sabia que eu nunca tive muito a ver com ela, mas ela fingia que não ligava e eu também não. Meu beijo, nunca teve muito a ver com ela. Enquanto eu não queria parar de beijá-la nunca, ela pedia pra eu parar porque ia se atrasar pro trabalho. Eu realmente, não tinha muito a ver com ela. Ela insistia pra eu ficar sem camisa de manhã, quando acordava, e eu sempre tentando me trocar pra trazer o café dela.
Ele sabia que não era o meu tipo, mas fazia de tudo para compensar isso. Por algum tempo eu continuei resistindo aos seus beijos e carinhos, mas eu sabia que não havia mais para onde fugir e que eu nem sequer cogitava essa possibilidade. Quando me dei conta já queria decorar, conhecer e sentir cada centímetro da pele dele, os sonhos, os medos, o brilho dos olhos, seus sorrisos e suas lágrimas. Eu já não sabia mais qual era o meu tipo.

Mesmo não tendo muito a ver com ela, eu e ela temos tudo a ver... Juntos. E pensando bem, até nisso, eu não tenho nada a ver com ela. Enquanto ela gosta de mim, eu teimo em gostar dela.



Esse texto foi mais uma parceiria com o querido Humberto do blog Utopia!