sábado, 7 de maio de 2011

Você sabe e eu sei, mas ainda posso escolher no que acreditar.

Você me encara enquanto me tira do sério com o mais convincente olhar de "fica tranquila, somos bons amigos".
Não entendo porque eu fico assim, deve ser por acreditar em você. Afinal, sei que somos bons amigos. Não sei dizer há quanto tempo, mas sempre me pareceu suficiente. Talvez até para acrescentarmos esse "bons" à definição da nossa amizade. Somos bons juntos, ousaria até dizer ótimos, não há como negar.
Estou perdida em devaneios, mas você continua a me olhar quase como quem quer me acalmar, me alertando do que está por vir. Falamos coisas sem sentido (para variar) e quando vejo seus lábios tocam os meus, por uma fração de segundo e então tudo para. Num ato meio desesperado (como quem tenta se recompor de um tapa na cara), sorrio simpaticamente e ensaio mentalmente o próximo passo. Fugir? Tocar no assunto? Fingir um desmaio? A sensação foi de que fiquei horas correndo atrás de uma resposta, embora não tenha chegado a lugar algum. Não fiquei nem um pouco surpresa quando vi que você parecia saber exatamente o que fazer.
É que você sabe que me tira do sério quando me encara com o mais convincente olhar de "fica tranquila, somos bons amigos".

Sabe? Dessa vez eu não acreditei.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

-Não foi só um beijo. Não pode ter sido só um beijo.
-O que diabos significa um beijo?
-Tudo.
-Nem tanto.
-Eu quis habitar aquela alma!
-Eu só quis ver no que ia dar.

Desejo, ilusão e um beijo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pessoas, bumerangues e o amor


Para todos os meus bumerangues.


Ouvi alguns anos atrás uma teoria de que pessoas são como um bumerangue. Você só tem que saber como lançá-lo e aconteça o que for ele voltará. De certa forma eu acredito na tal teoria; já que o universo está em constante movimento, cruzando histórias, unindo pessoas, afastando-as e ironicamente armando reencontros. Às vezes é esse tempo distante que une ainda mais duas pessoas, independente de o sentimento que as liga ser amor ou amizade. A saudade e o afeto fazem com que elas voltem como bumerangues e talvez até faz com que resolvam ficar um pouco mais até que chegue a próxima vez de se afastarem. É a distância que faz amar. É beijar alguém e ter aquela sensação de "tá tudo errado". É fazer uma brincadeira e ela não causar o mesmo efeito que causaria se fosse com aquele alguém que tão bem te conhece. É estar sozinho, acompanhado, feliz, triste e pensando em uma pessoa apenas.

Amar para mim é isso.

É na ausência perceber a presença do afeto;

Na ausência torcer para o bumerangue voltar logo

E resolver ficar de vez.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Procuro por mim, em alguém.

Às vezes eu me pergunto onde é que foi que eu me perdi de você. Onde foi que a minha mão se soltou da tua. Onde foi que os abraços se tornaram raros, as conversas silenciosas e o contato mínimo. Talvez eu tenha me perdido num corredor de supermecado, nas festas de outubro seguidas de confissões traumáticas ou então num ato impulsivo. Quem sabe eu tenha me perdido tantas vezes que nem saiba mais onde estou. E aquilo que costumava ser meu lugar comum esteja longe demais para que eu o encontre agora. Palavras não surpreendem, beijos não me prendem e nem os dias chuvosos são mais tão amigáveis, carregam lembranças demais. Confesso que queria mais dias de sol e vento para aquecer a alma e levar pra longe todo o amor que vivia aqui, mas aparentemente moro num lugar que faz questão de favorecer tudo aquilo que luto para esquecer.

E eu vou vivendo, até que encontre outro alguém de braços que me caibam quase como feitos sob medida, que lembre de mim até a um oceano de distância, que me dê beijos de tirar o fôlego, que me distraia com bobeiras e me chame de meu amor. Não porque se acostumou a minha presença, mas porque a verdade é bonita demais para ficar escondida.

Eu sei que uma hora eu vou me encontrar,
perdida em alguém.